sábado, 27 de agosto de 2011

Guardanapo



A gente nunca conversa
e quando conversa
a gente briga.

Mas é bom;
colocar os pingos nos is  
ou não.

A gente nunca
tem tempo

A gente tem
tempo
Mas a gente sempre tem,
além do tempo
medo dessas horas


A gente diverge
A gente converge
A gente se engana
A gente se ama.


A gente se ama?


Se a gente se ama,
a gente se entende.




Lúcia Gönczy






26 de Agosto de 2011

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

BEM ME QUERO

Nada de miquinho amestrado.
Homem comigo hoje só no laço:
E nem me venha com esse papo de aranha,
brucutu de meia pataca
Pois se me sinto subjugada, viro louca-
vou de princesa a rainha do cangaço.
Uma das vantagens do sexo frágil,
é parecer, segundo falsa análise,
aquele que tudo tolera. Já era!
-Não feminista ou cabra macho; feminina, apenas;
Sê preciso, rodo a baiana - desço do salto
e muito me encanto por flores de plástico.

Lúcia Gönczy

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Insana

A nota voa
som mata terra ar
fogo que vem
transmutando
deforma
a veia e a palavra
nada
tudo
basta
onde perdi
achei
desviei
meu caminho
sigo só
de repente, alento
não basta
sonho que se sonha
acordado
movimento e
fossa
trejeitos escondo
entre passos
falsos
bem mais falsos
do que este
mundo
alardeado de cimento
e pó


Lúcia Gönczy

terça-feira, 5 de julho de 2011

nem todo ritmo é luz

nem toda onda nada

o etéreo nem sempre vaga

a pista nem sempre ata

o beijo nem sempre é língua

a transa nem sempre é gozo

fugaz não quer dizer nada

o corpo nem sempre é osso;

sonoro também é ausência

de nada que nada vale

presente não é passado

senhor das horas, do tempo

nem toda ferida sangra

nem todo ungüento sara

aurora quase boreal espalha

vento fumaça fuligem

no ser que tudo abraça

nem todo abraço afaga

traço meu traço vago

à lápis à vida

cansaço

no punho,

aço.



Lúcia Gönczy





quinta-feira, 30 de junho de 2011















Inverno

motivo momento hibernação
continuidade ciclo espécie
recolho me [us] cacos
reponho vital - energia
tudo que vaga abissal
vagarosamente
enquanto durmo sem sonhos
permanece etéreo, intrínseco.

Lúcia Gönczy

sexta-feira, 27 de maio de 2011




Rotina

A onda passa
nas costas, girassóis ...
fúlvio é o caminho;
as moradas.
O sono adverte:
sonhar é bom;
use com moderação.
Depois,
a onda vem
meio louca meio turva meio nada
Quem sabe dos meios
conhece o fim.
Amanheço.
Só.
Amanheço só.

Mais um dia.


...

Lúcia Gönczy

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Essa mulher

como ganhar
perder
conquistar
essa mulher?

se falo,
retruca
se poetiso,
truco!


nela toda palavra [lavra]
palavrão
tesão
viagem

como suportá-la
insuportável?...
às vezes, me calo
quero colo
todo falo

outras,
qualquer pétala

não sei como.
procuro descobrir

o veto descobrindo-[me]
minha porção
feminina


de quando cala
meu falo
trucando
palavra que não volta

ah, essa mulher
quando me toca
desafino
viro menino -

nas mãos,
e
no afeto.


Lúcia Gönczy

sexta-feira, 6 de maio de 2011




Consumação


agora
que o cansaço virou água
a emoção viajou
no ontem de amanhã
trago violetas e margaridas
flores verdadeiras
umas vivem menos
outras nunca morrem
justamente como ontem
especialmente como a manhã
nunca presente.


Lúcia Gönczy

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Alguma coisa ou nada do que possa parecer

Fazer um poema bonito
rimar
contracenar
esquecer.

Nenhum arauto ou rei

pouco importa
designações

onde fui rainha
sou plebéia

minha fonte jorra
como a tua...talvez

e aquele chão batido de terra
terra nossa
nossos pés

já não é.

literalmente,


já não é.


Meu cavalo, meu princípe
cavalgar-me ou cavalvar-te?

uma cabra e um carneiro...

Lúcia Gönczy
Moinho

Na cama onde me deito
Asfalto
Juntaram nossos corpos
No sonho antigo
Lençóis, travesseiros macios
Banheiro sem porta

Agora,
Na cama em que me deito
Insônia
Dor de orelha
Estacionamento.

Saberá no sono que me
Faz
A noite embrulhada
De lembranças...

Moço, na nossa cama
Nem leito
Nem provas
Nem nada

Aquele 212 virou água

Na cama em que me deito,

Passado.



Lúcia Gönczy