quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Pulo do tigre


365X2
precisei tanto disso para sobreviver
hoje não é mais necessário
- pulo sozinha
sou  meu próprio
salto e sobressalto

O tigre ainda aparece,
de vez em quando,
comendo três pratos de trigo

TRISTE!

Lúcia Gönczy

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Amor e Paixão


Amor é bom
Paixão é vício:-
falta de ar
taquicardia
posse
doença
síndrome de abstinência


Amor é calmaria
Um “olhar” com cuidado
Desejar o bem do outro
independente do nosso
egocentrismo


Paixão e Amor
Fogo, fogo, fogo
Mas quem nesta vida
quer a segurança de que
são feitos os sentimentos
mornos?...


Não. Decididamente, não!
Eu, pelo menos, prefiro o
Inferno de Dante – O Paraíso
que se dane!
Juízo tem quem se atira
de cara sem medo do abismo

A gente só evita o que não pode resistir...


Lúcia Gönczy


sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Prometeu

Babe, eu me sinto bem
Babe, to além
De contos e fadas

Babe, não se assuste se eu te chamar
Lá de bem alto
É colina. Indiagem...

Babe,  não te prometo nada


Prometeu do Olimpio,
Disse coisas tão mais bonitas
E bacanas
Que quase acreditei em tantas promessas
Sacanas


[...]


Babe, agora é fato: to de saco

De tudo que for promessa e coisa
mal feita


Prometeu prometeu prometeu prometeu
- NUNCA cumpriu!


Lúcia Gönczy

domingo, 18 de setembro de 2011

Confusão Emocional (^^)

Nenhuma dor é igual
Não serei eu a repetir
Nenhum amor é Amor
O amor é antes Paixão
que não dura e não vale
uma vírgula

Nenhuma paixão vale uma dor
Que não é Amor nem é igual
A nenhuma Dor

Lúcia Gönczy

terça-feira, 13 de setembro de 2011

Os Quereres

Quisera-me politicamente correta
Saiba, homem, eu sou de Creta
do Olimpo e de Tesões

Quisera-me toda pura e pacata
Quando sou fúria e incauta
Jamais mula de cavalo baio

De rumo  incerto -
vôo sem asas
Num galopar constante
Insano, lúdico


E se der a louca, por coisa pouca,
selo meu Pégaso: - sumo!
Indômita
Selenita
Valente


Cuidado, infante,
afaste-se novamente
Pois dependendo do pedido,
afio garras, presas
e sangro pelos olhos.


Lúcia Gönczy
Despedida de um fantasma


ando mudada:
tenho sabatinado minha alma
que insiste em caminhar sobre pregos
de pontas ocas e virilmente enferrujadas
- motivo de tétanos virtuais

já não estou naquele momento
onde tudo era exato;
não direi o nome da foto nem os fatos
apenas subscrevo-me, atenciosamente...



afinal, me despeço da tua lembrança
fantasmagórica
que hoje não me causa assombro



é isso. fim do fim e do talvez;
e que cada um, na sua finita felicidade,
procure a plenitude


[sem mais]
Adeus.


Lúcia Gönczy

sábado, 27 de agosto de 2011

Guardanapo



A gente nunca conversa
e quando conversa
a gente briga.

Mas é bom;
colocar os pingos nos is  
ou não.

A gente nunca
tem tempo

A gente tem
tempo
Mas a gente sempre tem,
além do tempo
medo dessas horas


A gente diverge
A gente converge
A gente se engana
A gente se ama.


A gente se ama?


Se a gente se ama,
a gente se entende.




Lúcia Gönczy






26 de Agosto de 2011

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

BEM ME QUERO

Nada de miquinho amestrado.
Homem comigo hoje só no laço:
E nem me venha com esse papo de aranha,
brucutu de meia pataca
Pois se me sinto subjugada, viro louca-
vou de princesa a rainha do cangaço.
Uma das vantagens do sexo frágil,
é parecer, segundo falsa análise,
aquele que tudo tolera. Já era!
-Não feminista ou cabra macho; feminina, apenas;
Sê preciso, rodo a baiana - desço do salto
e muito me encanto por flores de plástico.

Lúcia Gönczy

quinta-feira, 14 de julho de 2011

Insana

A nota voa
som mata terra ar
fogo que vem
transmutando
deforma
a veia e a palavra
nada
tudo
basta
onde perdi
achei
desviei
meu caminho
sigo só
de repente, alento
não basta
sonho que se sonha
acordado
movimento e
fossa
trejeitos escondo
entre passos
falsos
bem mais falsos
do que este
mundo
alardeado de cimento
e pó


Lúcia Gönczy

terça-feira, 5 de julho de 2011

nem todo ritmo é luz

nem toda onda nada

o etéreo nem sempre vaga

a pista nem sempre ata

o beijo nem sempre é língua

a transa nem sempre é gozo

fugaz não quer dizer nada

o corpo nem sempre é osso;

sonoro também é ausência

de nada que nada vale

presente não é passado

senhor das horas, do tempo

nem toda ferida sangra

nem todo ungüento sara

aurora quase boreal espalha

vento fumaça fuligem

no ser que tudo abraça

nem todo abraço afaga

traço meu traço vago

à lápis à vida

cansaço

no punho,

aço.



Lúcia Gönczy